Resumo da transmissão do projeto no youtube AgroMaisAção
Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=kSPzECDD6Bg&t=2s
Uma das formas mais antigas e eficientes de produzir carne e leite é utilizando o pasto. Desde muito tempo, o ser humano conduz os animais até a forragem, permite que eles pastejem e depois retira o rebanho para que a área descanse e volte a produzir.
Esse princípio continua sendo a base do manejo eficiente de pastagens: controlar tempo de ocupação e tempo de descanso.
Hoje, uma das ferramentas que ajudam o produtor a fazer esse controle de forma prática é a cerca elétrica. Ela permite organizar melhor os piquetes, manejar o pastejo com mais precisão e melhorar o aproveitamento da forragem produzida.
Por que piquetes grandes reduzem a eficiência
Em muitas fazendas, os piquetes são grandes demais. À primeira vista isso parece prático, mas normalmente gera desperdício de pasto.
Existe um comportamento natural dos animais que explica isso. Quando a distância entre o fundo do piquete e o bebedouro passa de aproximadamente 230 metros, começa a ocorrer um uso desigual da área.
Na prática acontece o seguinte:
- Perto do bebedouro: o pasto fica muito raspado (superpastejo).
- Mais distante: o capim cresce demais e passa do ponto ideal (subpastejo).
Esse fenômeno é conhecido como degradação radial. O resultado é perda de qualidade da forragem e menor eficiência do sistema.
Uma forma de reduzir esse problema é diminuir o tamanho dos piquetes, melhorando a distribuição dos animais e o aproveitamento do pasto.
O desafio é que fazer muitas divisões com cerca convencional costuma aumentar bastante os custos com madeira, arame e mão de obra. Nesse cenário, a cerca elétrica surge como uma alternativa interessante, pois permite subdividir áreas com custo menor e mais flexibilidade.
O que podemos aprender com sistemas de alta eficiência
Em países como a Nova Zelândia, onde a terra e a mão de obra são caras e o uso de grãos é limitado, a eficiência no uso do pasto é essencial.
Uma das estratégias utilizadas nesses sistemas é o pastejo em faixa.
Nesse modelo, cercas elétricas móveis são utilizadas para liberar aos animais apenas a quantidade de forragem necessária para um determinado período — que pode ser um dia ou até algumas horas.
Com isso, o produtor consegue:
- Melhor controle da oferta de pasto
- Pastejo mais uniforme
- Menor desperdício de forragem
No Brasil, onde muitas pastagens tropicais têm crescimento rápido — como no caso de capins como o Mombaça — esse tipo de manejo também pode ajudar a melhorar o aproveitamento da produção de forragem.
Como funciona a cerca elétrica
Para usar bem essa tecnologia, é importante entender que a cerca elétrica não funciona como uma barreira física, mas sim como um sistema de condicionamento dos animais.
Depois de receber um choque algumas vezes, o animal aprende a respeitar a cerca.
Por isso, o mais importante não é a força da estrutura, mas a qualidade do choque.
A importância do aterramento
Para que o choque aconteça, o sistema precisa fechar um circuito elétrico.
O processo funciona assim:
- A corrente sai do eletrificador e percorre o fio.
- O animal toca o fio eletrificado.
- A corrente passa pelo corpo do animal.
- Entra no solo.
- Retorna ao aterramento do eletrificador.
Quando o solo é muito seco ou arenoso, essa condução pode ser ruim. Nesses casos, uma alternativa técnica é usar fios eletrificados intercalados com fios aterrados na própria cerca.
Assim, quando o animal toca os dois fios ao mesmo tempo, o circuito se fecha diretamente e o choque se torna mais eficiente.
Voltagem mínima para a cerca funcionar
Para que os animais respeitem a cerca, normalmente é necessário manter pelo menos 4.000 volts no ponto mais distante da linha.
Ao longo da cerca, alguns fatores podem reduzir essa energia, como:
- emendas mal feitas
- ferrugem no arame
- conexões ruins
- vegetação encostando no fio
Essas perdas são comuns e precisam ser monitoradas para que o sistema continue funcionando bem.
Como escolher o eletrificador
Muitos produtores escolhem o eletrificador com base na quantidade de quilômetros de cerca que o aparelho promete atender.
Mas um critério mais confiável é observar a potência do equipamento, medida em Joules.
Uma forma simples de entender isso é fazer uma comparação com uma bomba d’água:
- Voltagem seria a pressão.
- Joules seriam a força da bomba que empurra a água.
Quanto maior a capacidade em Joules, maior a capacidade do equipamento de manter a energia circulando na cerca, mesmo com perdas ao longo da linha.
Tudo começa com planejamento

A cerca elétrica funciona melhor quando faz parte de um planejamento da fazenda.
Antes da instalação, é importante pensar em alguns pontos:
- divisão dos piquetes
- posição dos bebedouros
- dimensionamento do eletrificador
- sistema de aterramento
Quando bem utilizada, a cerca elétrica pode ser uma ferramenta importante para organizar o manejo do pasto, melhorar a eficiência de colheita da forragem e aumentar a produtividade por área.

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