Resumo da transmissão do projeto no Youtube AgroMaisAção
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O período de transição entre o final da época das chuvas e o início da seca exige atenção rigorosa ao manejo de pastagens e à nutrição de bovinos de corte. A queda na qualidade da forragem impacta diretamente o Ganho Médio Diário (GMD), o que pode elevar severamente o custo da arroba produzida caso não haja intervenção nutricional adequada.
- A Dinâmica da Pastagem no Período de Transição
O período de transição das estações, especialmente o outono (março a junho), representa um momento crítico para as fazendas pecuárias. Com o fim das chuvas, o capim começa a sementear e secar, sofrendo alterações profundas em sua composição bromatológica.
Experimentos a campo demonstram que o teor de proteína bruta na parte aérea do capim pode decair progressivamente de 8% para cerca de 5,6% em poucas semanas. Simultaneamente, ocorre um aumento no teor de lignina da planta. Esse processo torna o capim altamente fibroso e de baixa digestibilidade. A alta quantidade de fibra resulta em uma taxa de passagem menor pelo trato digestivo, o que reduz a capacidade de consumo de forragem pelo animal e limita a energia disponível para o crescimento bovino.
- O Impacto do Manejo Prévio no Desempenho
As práticas adotadas no período das águas determinam o cenário da transição. Dois extremos de manejo prejudicam o desempenho do rebanho:
- Superpastejo (Baixa Oferta): Ocorre quando a taxa de lotação foi excessiva, resultando em escassez de capim. O animal fica fisicamente incapaz de colher a forragem necessária para seu desenvolvimento e ainda gera o risco de degradação da pastagem.
- Subpastejo (Alta Oferta, Baixa Qualidade): É um cenário muito comum na transição. A fazenda mantém uma lotação baixa nas águas e permite o acúmulo excessivo de massa de forragem, que envelhece e perde qualidade. Embora haja abundância de capim, a alta fibrosidade deprime o consumo voluntário de matéria seca pelo rebanho.
- Análise Econômica: O Custo Oculto da Restrição Nutricional
Existe um equívoco comum na gestão pecuária de tentar reduzir custos cortando o investimento em suplementação neste período. Embora manter o gado exclusivamente no sal mineral apresente um custo fixo menor, a queda abrupta no GMD encarece o custo da arroba produzida.
Dados experimentais demonstram que, com o avanço dos meses de transição, animais suplementados apenas com sal mineral reduziram seu ganho de aproximadamente 600g/dia para apenas 84g/dia. Em contrapartida, o uso de suplementos proteicos e proteico-energéticos manteve os ganhos na casa dos 300g a 500g/dia nesse mesmo período.
Embora o custo mensal por cabeça aumente com a suplementação devido ao investimento adicional, o ganho de peso superior dilui essas despesas. Em casos de manejo ineficiente, onde o GMD cai para 200g, o custo da arroba produzida pode saltar para mais de R$ 600 (um aumento no custo de produção que inviabiliza a atividade).
- Matriz de Decisão Nutricional
A decisão de como suplementar deve considerar a avaliação de duas variáveis: a qualidade do pasto (teores de proteína e fibra) e a oferta de forragem (relação entre a quantidade de forragem disponível e o peso vivo dos animais por hectare). A partir dessa avaliação, quatro estratégias principais podem ser adotadas:
- Boa Qualidade e Alta Oferta: Cenário ideal. Recomenda-se o uso de mineral aditivado ou suplementação energética. O cuidado principal deve ser com o “efeito substitutivo”, em que a alta densidade de energia do suplemento pode fazer o animal reduzir a ingestão do pasto verde que ainda está abundante.
- Boa Qualidade e Baixa Oferta: Existe pasto nutritivo, mas não em quantidade suficiente (restrição quantitativa). Não basta fornecer sal mineral, pois falta matéria seca para atingir a saciedade. As soluções incluem reduzir a lotação ou investir no fornecimento de um maior volume de alimento, adotando Semiconfinamento, Recria Intensiva a Pasto (RIP) ou Terminação Intensiva a Pasto (TIP).
- Baixa Qualidade e Alta Oferta: A forragem é abundante, mas a restrição é qualitativa devido à alta fibrosidade. Aqui, a estratégia ideal é o uso de suplementação proteica ou proteico-energética. O nitrogênio disponível no suplemento ativa as bactérias do rúmen, acelerando a digestão da fibra, o que aumenta a taxa de passagem e eleva o consumo total de forragem.
- Baixa Qualidade e Baixa Oferta: O pior cenário produtivo, com máxima necessidade de intervenção. Sem capim suficiente e o pouco que existe sem valor nutricional, é imperativo utilizar estratégias agressivas que forneçam alta quantidade de suplemento. O emprego de Semiconfinamento, RIP ou TIP é necessário para compensar todo o déficit do pasto.

Conclusão
A agilidade na tomada de decisão é fundamental. Aguardar que o pasto seque completamente para iniciar o fornecimento de um suplemento é um erro, pois a flora intestinal bovina leva entre 20 e 30 dias para se adaptar à nova dieta, janela de tempo na qual o animal pode perder valiosos quilos de desempenho. O diagnóstico correto da matriz forrageira de cada piquete aliado à ação nutricional rápida garante a rentabilidade, provando que o uso estratégico da nutrição na transição é um investimento que paga a própria conta.

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