Marcus e Mario
Exagro Consultoria
A gestão eficaz das pastagens é crucial para o sucesso da empresa agropecuária, mas existe um desafio que afeta 100% das fazendas: o problema das plantas invasoras. Seja em sítios ou em grandes fazendas, este é um ponto de atenção constante, pois as invasoras causam prejuízo direto e requerem vigilância contínua, independentemente da idade da pastagem.
Os Prejuízos Causados pelas Invasoras
O impacto das plantas invasoras é amplo e sempre prejudicial. Ele se manifesta principalmente na queda de produtividade, qualidade e utilização das pastagens.
- Competição: As invasoras competem com o capim por recursos vitais, como luz, água e espaço físico (tanto acima quanto abaixo do solo, nas raízes). É importante notar que a competição por luz ocorre mesmo que a invasora esteja por baixo do estande do capim, pois as plantas nativas têm capacidade de absorver certas frequências de luz, prejudicando o crescimento da forrageira que está por cima.
- Alelopatia: Alguns tipos de invasoras liberam substâncias no solo (alelopáticas) que inibem o crescimento e até a germinação das forrageiras. Um exemplo fortíssimo desse efeito é observado debaixo do pé de aroeira, onde geralmente não se encontra capim.
- Danos Físicos e Toxicidade: As invasoras podem ser plantas tóxicas ou possuir espinhos que machucam os animais, dificultando o pastejo e o acesso ao alimento.
- Impacto Econômico e Patrimonial: Como resultado da competição e dos danos, a presença de invasoras reduz a taxa de lotação, o desempenho do gado e, consequentemente, a receita. Além de aumentar o custo com controle, a falta de manejo pode levar à desvalorização do patrimônio da fazenda.
A Dinâmica do Problema: Por Que Elas Aparecem?
O problema das invasoras é complexo e começa, muitas vezes, com o fato de estarmos usando capins que foram introduzidos nas propriedades e que podem não estar totalmente adaptados para competir com as espécies locais.
Diversos fatores de manejo e ambientais abrem espaço para as invasoras:
- Condições Ambientais Desfavoráveis: Fatores como clima, tipo de solo, topografia e umidade podem enfraquecer o capim.
- Manejo Inadequado: Altas taxas de lotação, onde o gado pasteja o capim muito baixo, sem respeitar a reserva fisiológica para fotossíntese, prejudicam enormemente a forrageira.
- Escolha Errada da Forrageira: Utilizar uma forrageira muito exigente (como um Pânico) em um solo pobre e ácido impede que ela expresse seu potencial, permitindo que plantas daninhas adaptadas ocupem o espaço.
- Banco de Sementes Extremo: O controle deve ser praticamente constante porque o banco de sementes das invasoras é extremamente alto. Em uma pastagem formada, pode haver de 2.000 a 17.000 sementes por metro quadrado apenas nos primeiros 15 cm superficiais do solo.
As sementes das invasoras podem chegar à fazenda por diversos caminhos: através de maquinário, no pneu de caminhões, no rúmen de animais comprados, ou transportadas pelo vento e pela água. Além disso, o fogo acidental é perigoso, pois pode escarificar essas sementes, promovendo o brotamento de uma enorme quantidade de invasoras.
Estratégias para um Controle Eficaz
Para combater as invasoras, não basta apenas uma ação pontual; é necessário um planejamento de controle que deve ser contínuo.
- Conhecer e Dimensionar o Problema
O ponto fundamental é conhecer a invasora e dimensionar o problema. É preciso realizar um levantamento pasto por pasto, registrando:
- Quais são as invasoras (o nome de cada uma delas).
- Qual a quantidade e qual a área infestada (medida ou estimada).
Este levantamento permite determinar as formas de controle e a época de aplicação.
- Fortalecer o Capim e Ajustar o Manejo
Manejar bem o pasto é um fator favorável, pois evita a multiplicação das invasoras.
- Fertilidade do Solo: Corrigir a fertilidade e a acidez do solo é essencial para que o capim consiga competir de igual para igual. Uma das primeiras medidas para melhorar a condição de “briga” da forrageira é dar-lhe as condições de fertilidade necessárias.
- Taxa de Lotação: Ajustar a taxa de lotação evita que o gado prejudique enormemente o capim.
- Integração de Métodos e Combate à Resistência
O uso repetitivo de um único herbicida é arriscado. O mecanismo de resistência faz com que plantas pouco suscetíveis ou resistentes sobrevivam, multipliquem-se e se alastrem, exigindo doses cada vez maiores do produto.

Por isso, o controle químico deve ser integrado com outras formas:
- Controle Integrado: Mesclar o controle químico com o controle mecânico (roçadeira, foice, inchadão) é a melhor estratégia, especialmente onde há sinais de resistência.
- Momento de Aplicação: A aplicação de herbicidas deve ocorrer no momento mais favorável de crescimento da invasora (início das chuvas), com sol, mas sem calor excessivo para evitar a evaporação, e nunca durante a chuva (para não lavar o produto). Deve-se evitar também o “efeito guarda-chuva”, quando o capim está alto e a praga está pequena por baixo, impedindo que o herbicida atinja as folhas da invasora.
- Protocolo de Planejamento
Depois de levantar os dados, é possível criar um plano de ação:
- Orçamento e Priorização: Defina quais áreas são mais urgentes e crie um orçamento para os métodos de controle.
- Registro: É fundamental registrar todas as operações realizadas (dose, produto, período de uso e efetividade) para monitorar o sucesso e aprender com as falhas de aplicação.
Cuidar das invasoras é proteger todo o negócio, garantir o resultado e a longevidade da fazenda. Este é um processo contínuo de vigilância e planejamento, especialmente no período chuvoso, onde a atenção à identificação e ao combate deve ser redobrada.

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