Resumo da transmissão do projeto no Youtube AgroMaisAção
Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=T33JQfOp_pc&t=5s
A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) tem se provado uma tecnologia transformadora na pecuária de corte brasileira, desafiando os limites tradicionais de produtividade. Um dos exemplos mais notáveis de sua aplicação eficiente é a fazenda NOVAPEC, localizada no Mato Grosso. Idealizado pelo produtor há cerca de 11 anos, o projeto nasceu com o claro objetivo de ser uma propriedade de referência nacional em produtividade e lucratividade, validando tecnologias voltadas para a sustentabilidade e altos resultados em sistema à pasto.
Números que Desafiam a Média Nacional
Os resultados zootécnicos e financeiros alcançados pela fazenda estão muito acima da média da pecuária brasileira. Em uma área efetiva de apenas 700 hectares de pasto, a propriedade mantém um rebanho médio mensal de 3.800 cabeças, movimentando a compra e venda de aproximadamente 10.000 cabeças por ano.
Esse nível de intensificação permite uma produção impressionante de mais de 100 arrobas por hectare ao ano, operando com uma taxa de lotação de mais de 2.500 kg de peso vivo corporal, o equivalente a 5,5 Unidades Animais (UA) por hectare. Do ponto de vista econômico, o sistema provou sua força: produzindo a arroba com um custo de cerca de R$ 190,00 e vendendo-a por R$ 300,00, a operação gerou um lucro de aproximadamente R$ 110,00 por arroba produzida, culminando em um lucro superior a R$ 10.000,00 por hectare.

Nutrição de Precisão e Desempenho Animal
Para sustentar um rebanho tão expressivo na mesma área, a fazenda adota um fornecimento estratégico de ração como substituto parcial da forragem. Os animais consomem uma média de 9 kg de suplemento por cabeça ao dia, o que representa cerca de 2% do seu peso corporal. As dietas são compostas por ingredientes como milho, farelos de algodão e soja, e DDG, com um balanceamento de proteína que varia de 15,5% no período das águas até 17% durante o período da seca.
Os machos entram com média de 13 arrobas e são vendidos próximos às 21 arrobas, apresentam um ganho médio diário (GMD) de 1,350 kg, sendo 900 gramas de ganho de carcaça, com rendimento de 55,2%.

Recuperação do Solo e o Protagonismo dos Pastos
Apesar do uso intensivo de suplementação, o pasto continua sendo peça-chave do sistema. O projeto foi iniciado em pastagens com solos extremamente arenosos, fracos e degradados pelo pastejo contínuo. Para reverter esse cenário, o manejo foi alterado para um sistema de pastejo alternado e rotacionado, garantindo o tempo necessário de descanso para forrageiras como o Panicum (Massai e Mombaça) e Brachiaria.
No entanto, o maior salto de qualidade nas pastagens veio por meio da ciclagem de nutrientes. A fazenda realizou sua última correção química e adubação leve em 2017. Desde então, o fornecimento constante de ração no cocho, aliado à alta taxa de lotação, promoveu uma massiva distribuição de fezes e urina pela área. As análises de solo atuais evidenciam resultados drásticos: um aumento de 124% nos níveis de fósforo, 71% de potássio, 40% de matéria orgânica e 16% no pH do solo. Além disso, avaliações feitas com a tecnologia BioAS (da Embrapa) comprovaram que a vida microbiana e as atividades enzimáticas nesses solos apresentam níveis classificados de altos a muito altos.
O Trabalho Silencioso dos Besouros Rola-bosta
Uma grande parcela desse sucesso ecológico e produtivo é creditada à intensa atividade biológica promovida pelos besouros rola-bosta. Para preservar esses insetos, a fazenda ajustou o seu protocolo sanitário, evitando bases medicamentosas que afetem essa fauna benéfica.
Ao desmancharem e enterrarem os bolos fecais rapidamente, os besouros promovem a aeração e aumentam a infiltração de água no solo, além de incorporarem nitrogênio que, de outra forma, seria perdido por volatilização para a atmosfera. Esse serviço ecossistêmico atua como um controle biológico natural poderoso: reduz a proliferação de verminoses e controla até 40% da mosca-do-chifre, permitindo que a fazenda fique até quatro anos sem necessitar de controle químico para moscas.
Gestão, Logística e Inovação Tecnológica
Gerir uma operação desse porte exige extrema maturidade de processos e logística apurada. A infraestrutura de fornecimento de trato foi redesenhada: os cochos foram ampliados para funcionar como grandes depósitos, permitindo que o abastecimento ocorra apenas duas a três vezes por semana e reduzindo a sobrecarga operacional.

A propriedade ainda aposta forte na integração tecnológica. Através de sistemas digitais como o AgroHUB e sensores (IoT), a fazenda cruza medições de biomassa de forragem, feitas por imagens de satélite. Essa coleta robusta de dados serve como alicerce para análises preditivas via inteligência artificial, orientando a tomada de decisão.
O caso da NOVAPEC deixa uma importante lição para o setor: a TIP eficiente vai muito além de colocar um grande volume de ração no cocho. Trata-se de uma gestão que alinha nutrição de alta performance, conservação da biologia do solo e aplicação assertiva de dados.

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