Por que a TIP cresce tanto no Brasil?

Resumo da transmissão do projeto no Youtube AgroMaisAção
Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=CmGyhucMQ_g&t=8s

A Terminação Intensiva a Pasto, amplamente conhecida pela sigla TIP, vem consolidando seu espaço nas fazendas do Brasil como uma verdadeira revolução produtiva. Nos últimos cinco anos, a adoção dessa tecnologia cresceu surpreendentes 300%, sendo hoje utilizada por cerca de 15% dos pecuaristas brasileiros. Na região Centro-Oeste, o polo desse crescimento, o sistema já atinge 44% de adoção. Mas o que explica esse avanço tão expressivo da tecnologia?

A TIP consiste em fornecer um alto volume de ração aos animais para acelerar a terminação, operando com níveis de suplementação semelhantes aos de um confinamento, mas com o grande diferencial de utilizar o pasto como fonte de volumoso.

Abaixo, detalhamos os motivos que fazem da TIP uma estratégia de sucesso e quais os pilares para implementá-la com lucratividade.

Por que a TIP cresce tanto no Brasil?

Diversos fatores conjunturais e estruturais do Brasil favorecem a expansão dessa técnica:

  • Clima tropical e abundância de pastagens: O Brasil possui dimensões continentais e um clima abençoado com chuvas e umidade, o que possibilita uma alta produção de forragem. Diferente de países onde a produção intensiva depende quase que exclusivamente do confinamento, o produtor brasileiro pode aproveitar a pastagem para reduzir riscos e viabilizar a produção do volumoso a pasto.
  • Avanço da agricultura e proximidade com subprodutos: A expansão da agricultura brasileira disponibiliza grandes volumes de grãos e coprodutos, como milho, soja, casquinha de soja, DDG e caroço de algodão. Essa fartura permite uma nutrição com custos competitivos e impulsiona a aproximação da engorda aos centros produtivos de grãos para baratear a logística.
  • Alta do custo da terra e busca por produtividade: Com a terra ficando cada vez mais cara, o produtor precisa aumentar a produtividade dentro da mesma área de fazenda. A TIP possibilita saltar de 1 ou 2 bois por hectare em pastos tradicionais para taxas de lotação de 5 animais ou mais, permitindo realizar de dois a três giros ao ano na mesma área.
  • Demanda por animais jovens e carne de qualidade: Mercados exigentes, como a China, bonificam animais abatidos mais jovens (abaixo de 30 meses). A nutrição balanceada da TIP acelera o ganho de peso e o acabamento, ajudando o pecuarista a entregar uma carne de alta qualidade e de forma mais precoce.
  • Tecnologia inclusiva e altamente escalável: A TIP é considerada uma tecnologia inclusiva, que pode ser adotada por quem tem 2, 10, 1.000 ou até 100.000 cabeças. Estruturalmente, é muito simples para começar: basta colocar cochos no pasto (como borrachão ou bombona), providenciar a ração adequada e realizar uma boa adaptação.

A Lógica do Lucro: Margem multiplicada pelo Giro

O lucro da pecuária intensiva é resultado da equação: Margem x Giro. A TIP permite que o produtor aumente consideravelmente o número de animais vendidos por ano (giro). Contudo, é fundamental que haja excelência na gestão, pois se a operação for ineficiente, com desperdícios ou pasto degradado, a margem se torna negativa; e, ao ter um giro muito alto com margens negativas, o prejuízo financeiro será ainda maior. As fazendas mais rentáveis não são as de menor custo, mas sim as que conseguem eficiência em todas as engrenagens produtivas, alcançando alto giro com margens bem defendidas.

Considerações Finais

A TIP não surge para substituir o confinamento, mas para complementar e ampliar o arsenal de ferramentas do pecuarista. Além de excelentes resultados zootécnicos e financeiros, quando bem associada a práticas como a Integração Lavoura-Pecuária (ILP), a TIP contribui significativamente para a melhoria da estrutura física, química e biológica do solo. Trata-se da modernização definitiva da pecuária, focada em transformar a pastagem em uma verdadeira máquina de produção de carne de qualidade.

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