Produção anual de matéria seca das principais forrageiras utilizadas na pecuária nacional.

Guilherme Schreder – Consultor Assistente Exagro
Carlos Pantoja – Consultor Assistente Exagro

A escolha da forrageira para implantação de pastagens é uma decisão difícil, mas extremamente importante para o sucesso da atividade pecuária. Existem inúmeras espécies forrageiras para as condições brasileiras, sendo a maioria de origem tropical ou subtropical africana. No Brasil, as pastagens cultivadas ocupam em torno de 105 milhões de hectares, segundo Andrade (2001). Cerca de 70 a 80% são formadas por espécies do gênero Brachiaria, estando a maior área localizada na Região Centro-Oeste (Valle et aI., 2001). Além deste, os gêneros Panicum, Cynodon, Andropogon e outros estão presentes nas pastagens brasileiras.

O Brasil está situado, em sua maioria, em região de clima tropical e, nesse tipo de ambiente, a produção anual de capim é caracterizada por dois períodos distintos: o período das águas e o período seco. Nas águas, a produção de forragem é favorecida, dentre outros fatores, pelas altas temperaturas, longos períodos de incidência de luz solar e maior concentração de chuvas. No período seco, essa produção é desfavorecida, justamente devido às condições inversas às encontradas nas águas. Essa grande oscilação na produção forrageira entre os períodos do ano dificulta o planejamento alimentar do rebanho, pois as altas taxas de lotação permitidas no período das águas são bastante reduzidas durante o período seco.

Outro impacto de grande influência na produção forrageira é a fertilidade do solo, sendo que esta pode influenciar na decisão da escolha da espécie a ser introduzida no sistema. Quando se faz uma correção de solo e adubação, o objetivo é aumentar a produção e densidade da forragem e até evitar a morte da forrageira pela falta de nutrientes.

A obtenção de produtos animais em uma área de pasto é fruto da quantidade e qualidade da forragem produzida. Logo, aquelas plantas que têm uma maior produção tem a possibilidade de sustentar um maior número de animais por unidade de área.  O ajuste correto do planejamento alimentar cria condições de incremento produtivo, melhorando a relação da idade de abate e, consequentemente, a taxa de desfrute em diferentes sistemas de produção.

A otimização do uso das forrageiras disponíveis à bovinocultura passa então pelo planejamento alimentar, que tem como objetivo adequar a taxa de lotação da fazenda com o suporte da pastagem.

Além dos fatores mencionados acima que afetam a produção forrageira, pode existir variação dentro da mesma fazenda, quando é aplicado um manejo diferenciado ou são cultivadas em diferentes tipos de solos e fertilidade. Portanto, é importante que o produtor faça o levantamento e medição da produção da sua própria pastagem. Este levantamento pode demandar tempo, pois um dos formatos de se calcular a produção forrageira é pelas medições de altura de entrada e saída nos períodos de pastejo, feitas a cada mudança na área, durante todo o ano.

Veja abaixo o resultado da produção forrageira mensal de uma fazenda acompanhada pelo PastoComCiência e que coleta dados no AgroHUB:


Imagem 01: acúmulo mensal de forragem em KgMVS/ha e distribuição mensal de chuva em mm acumulados.

Com base nessas medições, fica mais fácil fazer o planejamento alimentar da fazenda, pois se tem ideia da curva de produção e suporte da pastagem.

O PastoComCiência compilou informações de vários trabalhos de pesquisa a respeito da produção anual de matéria seca das principais espécies forrageiras utilizadas na pecuária nacional, a fim de facilitar o acesso a essas informações pelos técnicos e a todos os envolvidos na nutrição e manejo de bovinos a pasto e que ainda não tem controle da produção forrageira da sua fazenda, mas precisam de informações para gerar o próprio planejamento alimentar.


Tabela 1: Média da produção anual em kg de matéria seca das principais forrageiras tropicais

Até a próxima!

Referências bibliográficas

  • Teixeira et. al. Produção anual e qualidade de pastagem de Brachiaria decumbens diferida e estratégias de adubação nitrogenada. Acta Scientiarum. Animal Sciences,Maringá, v. 33, n. 3, p. 241-248, 2011.
  • Souza et. al. Produção de matéria seca anual de três espécies de gramíneas dos gêneros Brachiaria, Panicum e Cynodon sob diferentes níveis de
  • adubação em Rondônia. II Reunião de Ciência do Solo da Amazônia Ocidental; 2013.
  • Souza, J. A. S. PRODUÇÃO DE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS DOS GÊNEROS Urochloa E Megathyrsus NAS CONDIÇÕES EDAFOCLIMÁTICAS DE MANAUS, AM. Universidade Federal do Amazonas, Dissertação de mestrado, Manaus AM, 2018.
  • Soares Filho et. al, Produção e valor nutritivo de dez gramíneas forrageiras na região
  • Noroeste do Estado de São Paulo. Acta Scientiarum, Maringá, v. 24, n. 5, p. 1377-1384, 2002.
  • M. DE A. BOTREL et. al, AVALIAÇÃO DE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS NA REGIÃO SUL DE MINAS GERAIS. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.34, n.4, p.683-689, 1999.
  • J. B. de Andrade et. al, Efeito das adubações nitrogenada e potássica na produção e composição da forragem de Brachiaria ruziziensis. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.31, n.9, p.617-620, 1996.

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