Como está o desempenho dos animais na seca?

Marcus Prado
Consultor Exagro

Estamos em visita em um cliente parceiro do PastoComCiência e, aqui, um dos processos padrão da fazenda é a realização de pesagens dos animais a cada 3 meses, aproveitando os manejos de vacinas, vermifugações e controle de ectoparasitas. Com isso, conseguimos acompanhar o desempenho dos animais nos períodos das águas e secas, como também o desempenho parcial das estações nas pastagens.

Nesta fazenda, a seca é muito intensa e o capim seca bastante, prejudicando o desempenho dos animais durante a estação. As forrageiras presentes são Brachiaria brizantha e Andropogon. A estratégia adotada para a seca é vedar os pastos de Brachiaria em fevereiro, concentrando os animais nos pastos de Andropogon, que ficam com uma carga animal muito baixa no período seco, comparados à Brachiaria. Aliada a esta estratégia, é realizada a suplementação balanceada dos animais em busca de maiores ganhos. No período das águas, é fornecido mineral e, no período seco, ração, proteinado(P50%) e proteico-energético (PE25%). 

Explicando o manejo de diferimento durante as águas, os pastos tem as alturas mensuradas durante a movimentação dos animais, buscando o melhor manejo dos pastos e ganho por animal e por área. A oferta de forragem também é monitorada pelo PC Sat, auxiliando nas tomadas de decisão de alocação do rebanho, com foco em uma oferta mais baixa no Andropogon, cerca de 6 e 8%, e mais alta nas braquiárias, com 16 a 20%. O acompanhamento das movimentações dos lotes, os registros de dados e as orientações de Oferta são executados utilizando a ferramenta AgroHUB, conforme imagem abaixo dos lotes da fazenda nas áreas.

Retomando o título da nossa conversa, como está o desempenho dos animais na seca?

Este ano, devido à seca um pouco mais antecipada e à necessidade de aumentar o ganho de peso na seca para realizar a venda planejada de alguns garrotes, a fazenda decidiu investir em suplementação, utilizando o Proteico Energético com 25% de proteína.  A meta é elevar o desempenho destes garrotes suplementados com PE25% de 200 para 400 gramas na seca, sendo o ganho de 200 gramas o desempenho histórico observado com suplementação utilizando proteinado com 50% de proteína e consumo 0,2% do peso corporal. Neste caso, é esperado que os animais suplementados que serão vendidos, tenham 1@ a mais no fim da estação seca.

Para comparação, existem animais ingerido proteinado com 50% de proteína e consumo proporcional a 0,2% do peso corporal e animais com proteico energético com consumo de 0,5% do peso corporal.

Para atender o projeto, foi necessário estruturar a área de cocho e logística de distribuição, visto que o proteico-energético é de consumo rápido e precisa ser colocado todos os dias, enquanto o proteinado é colocado a cada 3 dias nos cochos da fazenda.

Para evitar o aumento de custos com distribuição dos suplementos e movimentação de tratores, a suplementação é armazenada em bags estocados no redondel próximo aos cochos. O vaqueiro coloca o produto no cocho todos os dias se deslocando de moto ou a cavalo pela fazenda.

O desempenho parcial da seca observado nesta fazenda com esta estratégia foi o seguinte:

Podemos verificar que o desempenho dos animais recebendo PE (proteico-energético) está maior, com 464 gramas por dia, frente ao desempenho dos animais recebendo P50 (proteinado), com 336 gramas por dia. Neste caso, o ganho atendeu as expectativas projetadas. Lembramos que o ganho acima é intermediário da estação seca e que será avaliado novamente ao fim do período em novembro.

Uma vez verificado que o objetivo de ganho de peso foi alcançado, aparece a próxima pergunta: a dieta tem viabilidade econômica? O investimento se justifica? Os dados de custo com nutrição, comparando as duas estratégias mencionadas estão abaixo.

Note que o peso médio dos animais no manejo PE25% é superior ao peso dos suplementados com P50%, o que eleva o consumo da suplementação e impacta no custo por cabeça por dia.

O custo do kg do PE25% é inferior ao P50%, mas, neste caso, não olhamos somente para o valor do kg do produto e sim para o custo por cabeça por dia, uma vez que o produto proteinado-energético tem consumo maior que o proteinado. O custo de suplementação por cabeça por dia do produto PE25% está em R$ 2,77/dia, frente ao custo do P50% que está em R$ 1,12/dia.

O ganho diário de peso dos animais com suplementação energética reflete em um “retorno calculado em reais” de R$ 4,64/dia, enquanto o ganho dos animais com suplementação proteica reflete em R$ 3,36/dia. Esta conta foi realizada utilizando o GMD de cada manejo multiplicado pelo valor da @ do boi gordo vendido na fazenda para excluir custo com ágio. 

Quando subtraímos o ganho em reais pelo custo nutricional em reais, o manejo PE25% deixa uma margem de R$ 1,87, enquanto a estratégia P50% retorna R$ 2,24. Em valores, o P50% está com retorno ao dia superior, mesmo ganhando menos peso, pois o custo por dia é menor, refletindo em uma margem superior ao dia. Uma grande razão para este resultado é o ganho de peso parcial dos animais com P50% muito bom no período, superior ao projetado de 200 gramas.

Nesta conta, não estão inclusas as despesas operacionais, visto que a ideia era comparar a viabilidade entre o ganho de peso e o custo nutricional. Ressaltamos que, para um fechamento total, é necessário colocar os outros custos existentes em cada sistema.

É importante avaliar a disponibilidade de caixa na adoção de estratégias nutricionais, uma vez que o PE25% com o consumo maior traz a necessidade de investimento em estruturas, insumos e logística.

Ambas as suplementações estão com margens positivas na fazenda e dentro da expectativa do projeto. Vamos continuar medindo o desempenho até novembro e publicaremos o resultado.

Até a próxima!

 

 

 

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